Ela não era uma mulher qualquer. Ela era A Valeria Montiel: uma multimilionária gênio da tecnologia, a rainha mexicana do software, a mente por trás da V-Tech, presença constante na Forbes México, o modelo que muitas mães sonhavam para suas filhas. Mas naquele dia, Valeria não estava lá para uma entrevista, uma reunião de diretoria ou para comprar vinho importado.
Ele caminhava diretamente em direção a um homem sem-teto.
Ele estava sentado num banco perto de algumas caixas vazias. Vestia um casaco marrom surrado sobre uma camisa verde desbotada que não via sabão há semanas. Sua barba emaranhada parecia uma pequena floresta, e seus cabelos caíam desgrenhados. Uma sacola preta rasgada pendia de seu ombro, como se contivesse tudo o que lhe restava da vida.
Ele ergueu lentamente o olhar, confuso. Ninguém se aproximava dele. Muito menos uma mulher como ela.
Valéria parou em frente a ele e sorriu.
“Meu nome é Valeria”, disse ela suavemente.
O homem piscou.
—Santiago… Santiago Cruz.
E então, quando todos estavam boquiabertos de surpresa, ela fez o impensável.
“Já te vi por aqui”, continuou ele. “Você fala como um acadêmico. Discute dados e negócios como alguém que viveu nesse mundo. Não sei quem você é nem de onde vem… mas acho que você só precisa de uma segunda chance.”
Ele respirou fundo. Seu coração batia forte no peito.